Relatório de Contas 2012

07-01-2013 20:17

  

Relatório de Contas - Ano de 2012

 

    Caros sócios e sócias da “Tertúlia Rambóia”, mas acima de tudo, caros amigos e amigas.

 

    Chegados que somos aos primeiros dias de 2013 e de forma a podermos ter todos os dados na mesa para a Assembleia-Geral que se aproxima e para a elaboração do próximo Regulamento Interno, venho, como habitualmente, apresentar-vos o Relatório de Contas do ano transacto, que, assim o espero, nos permitirá ter uma ideia global da nossa gestão financeira e, sobretudo, do que poderemos fazer para a melhorar.

    O ano de 2012, foi como se sabe, um ano de profunda crise e se aqui o venho mencionar é porque, logicamente, esse clima de dificuldades financeiras não terá passado ao lado de muitos dos nossos sócios, facto que se reflectiu de maneira mais evidente na afluência durante o Colete Encarnado e a Feira de Outubro, momentos de maior concentração de almoços e jantares, com o correspondente gasto adicional, que levou muitos (pelo menos espero que tenha sido esta a razão principal e não qualquer tipo de incompatibilidade com a Tertúlia e os seus elementos) a não comparecerem com a frequência de outros anos. E é pegando nesta questão e no facto de ser opinião entre alguns de vós que as nossas actividades começam a ser demasiado caras, que vou desenvolver grande parte deste Relatório Anual. Quero realçar claramente que não se trata aqui de demonstrar que uns estão certos e outros estão errados, mas sim de todos juntos procurarmos soluções para que ninguém tenha de deixar de estar junto de nós por não lhe ser possível suportar o esforço financeiro inerente. Assim sendo, tendo como base o Quadro dos Saldos Finais de 2012, vamos analisar alguns pontos que poderão ser úteis para a clarificação destas questões e para a definição da forma de cobrança de quotas e actividades em 2013. Procurarei uma exposição o mais sistemática possível, por alíneas e pontos, de forma a podermos apreender um esquema geral.

 

  • Ponto 1: Contribuição das diversas rubricas para a coluna de “Entradas” – Saldo Total de 10.006,87€
  1. Quotas: 4660€/10.006,87€ = 47% do saldo total
  2. Pagamento de refeições: 3511,50€/10.006,87€ = 35% do saldo total
  3. Outras entradas: 1835,37€/10.006,87€ = 18% do saldo total

- Cash-Advance do cartão de crédito da Tertúlia = 496,89€

- Venda de bebidas nas actividades da Tertúlia = 254,80€

- Venda de bebida fora das actividades da Tertúlia = 228,50€

- Venda de rifas = 222€

- Venda de pólos e casacos = 200€

- Receitas dos Matraquilhos = 182€

- Donativos no mealheiro = 122,85€

- Outros = 128,33€

 

    Em relação a este ponto 1, gostaria de destacar alguns aspectos. O primeiro é óbvio e do vosso inteiro conhecimento: não existe nenhuma Tertúlia com as características da nossa, ou seja, formada por um grupo de sócios pagantes mas sem estar oficialmente registada como Associação e não podendo, portanto, usufruir nem de patrocínios nem de apoios oficiais, cuja principal fonte de receita não sejam as quotizações dos seus elementos. Em segundo lugar, realçar a adesão a um cartão de crédito associado à conta em meu nome mas que é movimentada única e exclusivamente para as actividades d’ “A Rambóia”. Este  cartão, cujo “plafond” total é de 1000€ servirá para fazer frente a necessidades especiais ou inesperadas de tesouraria, evitando-se assim a recorrente situação de ser o meu dinheiro colocado ao serviço da Tertúlia para resolver esse tipo de situações. Por último, gostaria que atentassem no facto de a terceira maior fonte de rendimentos indicada na alínea c) ser a venda de bebidas em dias que não são de funcionamento efectivo da Tertúlia. Quer isto dizer, que existe da minha parte, bem como de muitos dos elementos da Direcção e de sócios e amigos que nos visitam, o cuidado de procurar não prejudicar ou delapidar de nenhuma forma aqueles que são os recursos destinados única e exclusivamente ao funcionamento oficial da “Tertúlia Rambóia” e às suas actividades.

 

  • Ponto 2: “Custo” de cada sócio face ao total apresentado na coluna de “Saídas” – Saldo Total de 9579,50€

9579,50€/45 = 212,87€

  1. O custo acima referido, que contempla o número total de 45 sócios efectivos (com 7 ou mais meses de quotas pagas) encontra-se através da seguinte fórmula, que traduz, obviamente, um custo médio, visto que o investimento efectivo feito pela Tertúlia em cada sócio, dependerá, por um lado, do montante de quotas pago e, por outro, do número de actividades em que compareceu:
  1. Considerando este valor médio, vamos então tentar compreender, para as duas modalidades de pagamento de quotas que existiram em 2012 (com os consequentes reflexos para cada uma, nos pagamentos de refeições e actividades) se existe um prejuízo excessivo “per capita” face às nossas receitas ou, se por outro lado, seria possível reduzir o valor de quotas e de eventos sem comprometer a nossas estabilidade financeira. Temos assim que:

a). Sócios na modalidade de 120€ anuais: 120€ (quotas) + 20€ (7º Aniversário) + Jantar de 31 de Março (gratuito) + Pólo (gratuito) + 5€ (Jantar das “Tertúlias na Rua”) + Colete Encarnado (gratuito) + 20€ (contribuição adicional para a Feira de Outubro) + 10€ (Jantar de Encerramento da Feira) + Jantar de Fim de Ano (gratuito) = 175€

b). Sócios na modalidade de 65€ anuais: 65€ (quotas) + 20€ (7º Aniversário) + Jantar de 31 de Março (gratuito) + 10€ (Pólo) + 5€ (Jantar das “Tertúlias na Rua”) + 30€ (Colete Encarnado) + 110€ (Feira de Outubro – supondo a comparência em todos os dias e a cobrança por refeição, na Sexta e Sábado, de 12,50€ e nos restantes dias, de 10€) + 10€ (Jantar de Encerramento da Feira) + 18€ (Jantar de Fim de Ano) = 268€

  1. Da análise da alínea anterior parece resultar que, face ao valor médio indicado de investimento da Tertúlia em cada sócio (212,87€), os elementos do primeiro grupo teriam dado um prejuízo de 37,87€, enquanto os do segundo teriam originado um lucro de 55,13€, ambos os valores calculados por sócio. Relembremos, contudo, que se tratam de cálculos hipotéticos, uma vez que, nomeadamente no referente aos sócios enquadrados no segundo grupo, não houve nenhum que tivesse efectivamente realizado a despesa anual de 258€, já que, tal como anteriormente referido, foram várias as ausências, em especial durante a Feira de Outubro. Não obstante e porque é com este tipo de cálculos médios que temos e devemos trabalhar, parecem existir margens de ajuste, quer acima quer abaixo, que nos permitam, pelo menos, aproximar da meta ideal que é a de que cada sócio esteja em situação de não causar nem lucro nem prejuízo.

 

    Do atrás explicado e esquematizado sobressai, portanto, uma ideia e conceito essenciais: a “Tertúlia Rambóia” enquanto grupo fundado essencialmente em valores de amizade, camaradagem e entreajuda, deve sobreviver graças ao apoio e às contribuições dos seus elementos, sem que isso signifique uma excessiva carga financeira sobre os mesmos, ainda para mais no actual contexto de adversidade económica. É nesse sentido que todos em conjunto devemos trabalhar para encontrar o ponto ideal de equilíbrio e para isso são instrumentos essenciais este Relatório de Contas, bem como o Regulamento Interno e as Assembleias Gerais, para as quais contamos com a participação de todos sem excepção, de forma a que a “justiça social”, tão rara lá fora nos dias que correm, seja palavra de ordem entre as paredes da nossa “Rambóia”.

 

    Para terminar e no seguimento do atrás exposto, considerando que o Presidente deve ser o primeiro a dar o exemplo em relação às ideias que ele próprio defende, peço-vos que atentem nos pontos 7 e 76.A) da coluna de “Saídas “ do quadro de Saldos Finais de 2012. Os valores aí referidos, relativos ao acerto anual da factura da electricidade e ao desentupimento dos esgotos da Tertúlia, após o Colete Encarnado, correspondem apenas a metade dos montantes efectivamente pagos, tendo o restante sido suportado por mim e pela Carlota, numa óptica de sermos os principais utilizadores da casa e dos seus   recursos.   Tal  facto  poderá   ser  comprovado  através   da consulta  ao caderno completo de facturas e recibos, referente a este ano de 2012, disponível na sede da Tertúlia e que, como habitualmente, não se anexa, por motivos de poupança de papel e de tamanho de ficheiro.

 

    Com isto quero apenas realçar a ideia de que não existe da parte de nenhum elemento da “Tertúlia Rambóia”, do seu Presidente ou da Direcção o desejo ou objectivo de gerar lucro ou de utilizar em proveito próprio as instalações e actividades da mesma. Não quer isto dizer que não possa haver lugar a correcções ou alterações à forma como determinadas situações são definidas ou à gestão do nosso património financeiro. Existe boa fé, existe vontade de fazer mais e melhor e existe união, factores mais que suficientes para fazer com que, falando entre todos, possamos sempre levar este navio a bom porto.

 

    Resta-me agradecer pela atenção prestada a este Relatório, pedindo-vos mais uma vez que compareçam em força à próxima Assembleia Geral, onde com base no agora exposto, iremos procurar corrigir os eventuais erros cometidos em 2012, de forma a que 2013 seja mais um dos nosso grandes anos de “Rambóia”!

 

        Muito obrigado a todos.

 

Amizade, Festa, Tradição!

 

                                        O Presidente

                                       João Diogo Câncio

 

Vila Franca de Xira, 4 de Janeiro de 2012